Bases de TREINO

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Bases de TREINO

Mensagem por ArtSports em Seg Mar 19, 2012 6:03 pm

Conceitos Básicos de TREINO e de fisiologia do exercício


Vias energéticas

Antes de mais, é necessário abordar o termo energia nas suas componentes orgânicas, estruturais e funcionais. Para tal, é indiscutível a inexistência de ATP. Nos organismos vivos a principal fonte de fornecimento de energia que possibilita o movimento, é desencadeada e armazenada no ATP.
O ATP é fornecido, em três vias possíveis: duas vias anaeróbias (a aláctica e a láctica) e a via aeróbia. A via anaeróbia aláctica (ou via dos fosfagéneos ou via do fosfato de creatina (ou fosfocreatina)) consta do ATP e do fosfato de creatina (FC) existentes nos músculos estriados. O fosfato de creatina é hidrolisado e a energia aproveitada para a síntese de uma molécula de ATP, que por sua vez, é utilizada para a produção da energia necessária ao movimento.
É uma via de síntese, muita rápida de ATP mas que, por sua vez, se esgota com rapidez (o ATP em cerca de 4 segundos e o fosfato de creatina dos 4 aos 10 segundos). Portanto é uma via energética bastante usual e solicitada em desportos de grande exigência de força ou velocidade, em que o esforço efectivo e produtivo não dura mais de 10 segundos (corrida de 100m, prova de 25, 50 metros de natação). Para a reposição das reservas de fosfato creatina é necessário ATP (2 moléculas de ATP para a síntese de 1 molécula de fosfato creatina), que é produzido nas outras vias energéticas.

Quadro (1) – energia disponível no organismo na forma de fosfagéneos (Carlos Alberto Fontes Ribeiro)
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A via anaeróbia láctica, (ou via glicolítica ou via de ácido pirúvico) têm como substrato a glicose e como produto o ácido pirúvico (2 piruvatos para cada molécula de glicose). Se por ventura existir Oxigénio este piruvato entra no ciclo de Krebs. Mas se por acaso não houver Oxigénio (esforço for muito intenso que ultrapassa a capacidade de entrada no ciclo de Krebs), o piruvato transforma-se em lactato, ou seja, a concentração de lactato reflecte a intensidade do exercício e também a forma física do atleta.
O lactato formado no exercício intenso é destinado para o aproveitamento e fornecimento de energia (através da via aeróbia) ou na sua transformação em glicose. Isto é, o lactato que se forma nos músculos tem de ser rapidamente removido, através da corrente sanguínea, já que é uma das fontes principais de fadiga e dores musculares. A sua recuperação ou remoção pode ser feita através, de recuperação activa ou passiva, sendo que a sua remoção é mais rápida e eficaz na recuperação activa, uma vez que predomina um aumento da circulação sanguínea, facilidade de excreção pela urina e suor, sendo mais demorada na recuperação passiva.

Quadro (2) – Tolerância ao lactato e energia disponível no organismo através da via glicolítica (Carlos Alberto Fontes Ribeiro) CLICA NA FOTO
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A via glicolítica é utilizada em desportos cujas provas são de grande intensidade e que durem aproximadamente de 1 a 3 minutos (corrida de 400m). Tem como fonte nutritiva a glicose, seja a existente no sangue ou a armazenada na forma de glicogénio.

A via aeróbia é a via energética de velocidade mais baixa e de consumo e produção de ATP, mas a de maior capacidade, servindo de sustentabilidade para desenvolver a outras vias energéticas, e praticamente inesgotável. Os nutrientes e substratos que fazem parte da sua transformação (ácidos gordos, aminoácidos, oxigénio, etc.) dão origem ao ciclo de Krebs que cria uma transferência para a fosforilação oxidativa. A presença obrigatória de oxigénio, e a obtenção de energia a partir da glicose, é o que mais designa a actividade e prática desportiva aeróbia.
Portanto, a via aeróbia é a utilizada em provas de intensidade ligeira ou moderada, mas de longa duração e de grande volume, (maratona, prova de 1500m de natação). A via aeróbia funciona como base de sustentação de todos os seres vivos que procedem a aerobiose (aerobióticos) como forma de obter energia e de sobrevivência, ao contrário dos seres anaeróbios que sobrevivem sem oxigénio.

QUADRO MUITO BOM: Quadro (3) – Características das vias energéticas (Carlos Alberto Fontes Ribeiro) CLICA NA FOTO
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Outro Bom exemplo: Quadro (4) – Vias energéticas e provas desportivas (Carlos Alberto Fontes Ribeiro)
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Recuperação após esforço - MUITO IMPORTANTE!

As vias energéticas vão sendo utilizadas consoante a intensidade e duração de determinada actividade desportiva, havendo consumo de diversos nutrientes e substratos. Como tal, é necessário haver recuperação e restauração das vias energéticas solicitadas, estando elas agrupadamente, diferenciadas e ajustadas ao tempo essencial disponível para uma nova utilização.

Quadro (5) – Tempos de recuperação após esforço (Carlos Alberto Fontes Ribeiro)
MUITA ATENÇÂO A ESTE QUADRO :D
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Glicose

Considerado o carboidrato mais importante na biologia. As células utilizam – o como fonte de energia e é um dos principais produtos da fotossíntese e da respiração celular. Ao nível energético é um nutriente fundamental que assume grande responsabilidade pela via aeróbia, seja para a via anaeróbia (Via glicolítica).

Consumo de oxigénio no exercício físico

Na prática de exercício físico é necessário existir energia e para que isso tem de coexistir oxigénio. A intensidade do exercício pode ser medida e avaliada através do consumo de oxigénio (intensidade média do consumo de oxigénio (VO2 máximo) ou sem percentagem do consumo de oxigénio máximo de oxigénio (% do VO2 máximo.)).
Para determinar estes valores é necessário equipamento específico e apropriado, que por vezes não está ao alcance e disponível directamente. Mas indirectamente é justificável saber calcular o consumo de oxigénio em proporcionalidade à intensidade do exercício.
Para isso aplica-se a seguinte fórmula:
FC (bpm) = FCbasal + % (FCmáx – FCbasal)
Exemplo/Problema: Suponhamos um atleta de 21 anos, como uma frequência cardíaca máxima de 199 bpm e com uma frequência cardíaca basal de 60 bpm. Qual deverá ser a frequência cardíaca do atleta para atingir 80% do consumo máximo de oxigénio?
Resolução:
FC = 60 + 0,8 (220 ‐ 21 ‐ 60) = 60 + 0,8 x 139 = 171,2
A determinação do VO2 máximo (ml/kg/min) serve para avaliar a forma física de um atleta. Outro modo de o fazer é através da determinação do limiar anaeróbio, que é a percentagem do VO2 máximo a partir da acumulação do ácido láctico no sangue (quanto maior for a percentagem do limiar anaeróbio, melhor é a forma física do atleta).

Características das unidades motoras

Para alem de ser necessária energia para gerar movimento também e necessário existir massa muscular. Com isto, apurou-se que as fibras musculares condicionam o desenvolvimento das vias aeróbias ou das vias anaeróbias. Portanto a quantidade de fibras que um atleta possuir vai influenciar a sua preponderância física na via aeróbia ou anaeróbia. Sendo essencialmente hereditárias podem ser reforçadas consoante o treino, sendo distintas e classificadas em fibras tipo I (aeróbias) e tipo II (anaeróbias) ou ainda, tipo IIa, devido à oxidação gerada pelo treino das fibras tipo I. Estas unidades e capacidades motoras fisicamente são a resistência, força, velocidade e a flexibilidade.

No Treino...

O planeamento e o sistema organizacional dos treinos são uma componente fundamental e imprescindível para o desenvolvimento do atleta. Implica a distribuição das cargas de treino, como a orientação devida com o propósito de conseguir melhores resultados num determinado momento. Mais conhecido por plano de treino, podendo ser anual, mensal, semanal ou diário, ou seja, macrociclo, mesociclo, microciclo, plano de aula/treino.

Processos Biológicos:

Afirma-se que um determinado organismo está adaptado a uma determinada situação quando existe efectivamente um equilíbrio entre o conteúdo e a degeneração sem comprometerem as exigências físicas normais. A este equilíbrio funcional chama-se homeostáse. Se um estímulo condiciona a homeostáse, o organismo necessita de restabelecer um novo equilíbrio que corresponda à situação solicitada.
Se determinado estímulo requer uma carga mais elevada, a homeostáse interrompe-se por domínio de processos degenerativos (Catabólicos). O organismo para responder a este tipo de estímulo cria um aumento de processos regenerativos (anabólicos), com a finalidade de proteger a estrutura orgânica de um esgotamento excessivo, para além da sua capacidade. Os processos regenerativos não só intervêm na recuperação ao nível da estabilidade inicial mas também no aumento da estabilidade para outro patamar, que resulta no aumento do rendimento. Este fenómeno denomina-se super – compensação.

Na super – compensação a recuperação é fundamental e decisiva, para coexistir uma reposição das reservas de energia disponíveis, sendo que após a recuperação sucede-se então um aumento dos níveis iniciais de energia (super – compensação) que por consequência potencializa a carga antecipadamente estabelecida como previne e protege o organismo caso se produza um esforço de carga e exigência mais intensa.
Para Jakowlev, 1977 “a super – compensação é portanto, o primeiro nível de adaptação do organismo à actividade muscular.

Quadro (6) – Esquema ilustrado da adaptação biológica em relação ao aumento dos depósitos de glicogénio. (Fernando Navarro, adaptado de Jakolew 1977) CLICA NA FOTO (Super-compensação FUNCIONA!!)

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A CARGA NO TREINO!!

No planeamento de treino é importante determinar logo à partida, a quantidade e a qualidade da carga de treino necessária, para se reproduzirem no organismo, os efeitos ou os estímulos desejáveis a alcançar numa determinada meta.
A carga de treino deve estar articulada, como uma unidade de programação, que se dispõe o registo de informação na preparação do atleta, inteiramente associada aos conteúdos de treino, aos exercícios, aos métodos, ao quadro competitivo, às características específicas da competição, ao desempenho e performance do atleta, e aos objectivos fisiológicos que se pretendem alcançar.
Hollman e Hettiguer (1980), afirmam que um principiante para desenvolver a sua força, requer uma intensidade com cerca de 30% - 40% da sua força máxima, por outro lado, um desportista muito treinado necessita no mínimo de uma carga de 70% da sua força máxima, apenas e só, para manter o seu nível de rendimento.
No âmbito do treino e desenvolvimento da força explosiva, segundo Grosser (1992), acentua que só os estímulos máximos, com poucas repetições e com recuperação suficiente provocam adaptações adequadas. Já o próprio afirma que no círculo do treino da velocidade, só os estímulos máximos provocam adaptações, com estímulos máximos de 6 segundos, contendo recuperações completas e com poucas repetições (4,6).
Portanto, estas análises levam-nos a relevar a importância do planeamento da carga de treino, e de como e quando, devem ser devidamente implementadas e adequadas em relação à maturação dos atletas, ao seu estilo de vida, e essencialmente à experiência e ao tempo de prática. Tudo se encontra linear, quanto à sua progressão e condição.
No seguinte quadro pode – se verificar claramente o efeito e as precursões que a carga de treino pode originar num atleta, fisicamente, tecnicamente e psiquicamente, em relação ao seu rendimento desportivo.

Quadro (7) – As três fases de comportamento a determinado estímulo (Fernando Navarro)
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Para que não exista ESTAGNAÇÂO e retrocesso no nosso treino e EXISTA EVOLUÇÂO, é necessário ser dinâmico e ter considerações sobre algumas metodologias:
Ordem metodológica:
1. Aumento da frequência de treino
2. Aumento do volume de carga por unidade de treino com a mesma densidade de estímulo
3. Aumento da densidade do estímulo na unidade de treino
4. Aumento da intensidade do estímulo
5. Mudar a Frequência do mesmo Estímulo





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Re: Bases de TREINO

Mensagem por ArtSports em Seg Mar 19, 2012 7:23 pm

Sem querer debitar muito de uma só vez acrescento só mais isto que penso ser importante Wink

A CARGA

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Componentes da Carga de treino

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As Bases São:

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A Adaptação está sempre presente se quisermos evoluir!

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A Intensidade do Treino e a Freq.Cardiaca

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Última edição por ArtSports em Seg Mar 19, 2012 11:52 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Bases de TREINO

Mensagem por AJ em Seg Mar 19, 2012 7:55 pm

Bom post ArtSports! Cool

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Re: Bases de TREINO

Mensagem por Guru em Seg Mar 19, 2012 10:13 pm

Boa informação, sim senhor Smile

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Re: Bases de TREINO

Mensagem por JOKER em Seg Mar 19, 2012 10:47 pm

Bom post sim Sr.!!!

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Re: Bases de TREINO

Mensagem por ArtSports em Seg Mar 19, 2012 11:51 pm

hehehe Very Happy obrigado pessoal, espero contribuir ou ajudar sempre que possa!
Abraços Cool

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Re: Bases de TREINO

Mensagem por Welelele em Qua Jan 09, 2013 11:48 am

Dei mais atenção a isto agora, fenomenal...!

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Re: Bases de TREINO

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